O que ninguém te conta sobre as canetas emagrecedoras

Talvez você já tenha se pegado pensando: “se existe uma medicação que promete me fazer perder peso rapidamente, por que não usar?”

É uma reflexão natural, especialmente quando você já tentou de tudo e se sente cansada de resultados que não se sustentam. As famosas “canetas emagrecedoras” estão em alta, prometendo uma solução aparentemente simples para uma questão que tem te atormentado há anos.

Será que essa facilidade toda é real?

Será que existe mesmo um atalho seguro e duradouro para a saúde que você tanto busca?

Como médica que trabalha com Medicina do Estilo de Vida, tenho conversado com muitas mulheres que chegam ao consultório cheias de expectativas sobre essas medicações. E é sobre essa realidade – com suas verdades, seus riscos e suas alternativas – que quero conversar com você hoje.

Não é sobre julgar suas escolhas ou suas tentativas anteriores.

É sobre te ajudar a entender o que a ciência realmente diz sobre esses medicamentos e por que, muitas vezes, o caminho mais longo pode ser a melhor opção.

O que realmente acontece quando você para de usar a medicação

Vamos começar pela informação que poucos comentam: o que acontece depois.

Os estudos científicos mais rigorosos mostram uma realidade que precisa ser discutida abertamente. Pesquisas com acompanhamento de longo-prazo revelam que:

  • Aproximadamente 67% do peso perdido retorna em apenas um ano após a interrupção.
  • Todos os benefícios conquistados (pressão arterial, colesterol, exames) tendem a voltar aos níveis anteriores.
  • É necessário uso contínuo para manter os resultados.

Isso significa que se você perdeu 10 quilos durante o tratamento, é provável que recupere cerca de 6-7 quilos no primeiro ano sem a medicação.

Por que isso acontece?

Porque essas medicações agem principalmente suprimindo o apetite e retardando a digestão. Quando para de usar, seu corpo volta ao funcionamento anterior.

É como se você tivesse usado uma muleta para caminhar – ela te ajuda enquanto está lá, mas quando você retira, precisa ter desenvolvido força e o equilíbrio necessários para seguir sozinha.

A questão que se coloca é:

Você está preparada para um tratamento que, na prática, pode precisar ser mantido indefinidamente?

É importante consultar um médico especialista para avaliação individual sobre essa possibilidade e seus impactos na sua saúde a longo-prazo.

Os efeitos colaterais que merecem sua atenção

Talvez você já tenha ouvido falar dos efeitos mais comuns, como náuseas e vômitos.

Mas existe um lado mais sério que precisa ser discutido

O que os estudos recentes revelaram:

  • Aumento de 9 vezes no risco de inflamação grave do pâncreas (pancreatite).
  • Problemas intestinais graves, incluindo obstrução.
  • Possível aumento de depressão e alterações do humor, especialmente em mulheres de 25-50 anos.
  • Complicações visuais raras, mas potencialmente permanentes.

Isso não significa que esses problemas vão acontecer com você, mas é fundamental que sejam considerados na decisão.

Por que isso importa?

A medicina responsável sempre pesa benefícios contra riscos, especialmente quando falamos de medicações relativamente novas, onde ainda estamos aprendendo sobre efeitos de longo-prazo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) inclusive implementou novas regras para controlar melhor a dispensação desses medicamentos, exigindo retenção de receitas nas farmácias.

Essa medida reflete a preocupação com o uso crescente e muitas vezes inadequado dessas substâncias.

A questão financeira que ninguém quer calcular

Vamos falar sobre um aspecto prático que impacta diretamente sua vida: o custo real desse tratamento.

Os números que você precisa conhecer:

  • Custo mensal: Entre R$1.200,00 a R$2.400,00
  • Custo anual: R$14.000,00 a R$28.000,00
  • Custo para manutenção de longo-prazo: Centenas de milhares de reais ao longo dos anos

Para muitas famílias, isso representa uma pressão financeira significativa, especialmente quando consideramos todos os outros gastos que temos com saúde, educação dos filhos e planejamento para o futuro.

Além disso, há um custo emocional que nem sempre é considerado:

  • Ansiedade sobre a possibilidade de falta do medicamento.
  • Preocupação sobre efeitos colaterais a longo-prazo.
  • Sensação de que você não tem controle real sobre sua própria saúde.

Não estou dizendo que esses custos não podem valer a pena em alguns casos específicos.

Mas é importante que essa decisão seja tomada com clareza sobre o que você está assumindo, não apenas pelo primeiro ano, mas pelos próximos 10, 15, 20 anos da sua vida.

Quando seu corpo realmente precisa de medicação

É importante deixar claro: essas medicações têm seu lugar na medicina.

Elas foram desenvolvidas originalmente para diabetes e têm benefícios comprovados para pessoas com obesidade severa e múltiplas comorbidades.

Os critérios médicos oficiais para prescrição são claros:

  • Pessoas com índice de massa corporal acima de 30.
  • Ou acima de 27 quando há outras doenças associadas como diabetes ou hipertensão.
  • Não é um tratamento de primeira linha para quem quer perder “aqueles quilinhos a mais” por questões estéticas.

Conheço colegas que prescrevem essas medicações de forma muito criteriosa, sempre como parte de um plano mais amplo que inclui mudanças de estilo de vida.

Nunca como solução isolada, mas como uma ferramenta temporária para ajudar pessoas que realmente precisam de um “empurrão inicial” para conseguir fazer mudanças mais profundas em suas vidas.

A diferença é que, mesmo nesses casos, o objetivo sempre é desenvolver hábitos sustentáveis que permitam, eventualmente, reduzir ou até mesmo descontinuar a medicação.

É sobre usar a ferramenta para construir uma base sólida, não para depender dela para sempre.

O poder transformador da medicina do estilo de vida

Aqui chegamos no ponto que mais me emociona na medicina: a descoberta de que seu corpo tem uma capacidade incrível de se transformar quando você cria as condições adequadas.

A Medicina do Estilo de Vida não é sobre regras rígidas ou protocolos milagrosos.

É sobre entender como pequenas mudanças consistentes podem gerar resultados profundos e duradouros.

O que os estudos a longo-prazo nos mostram:

Quando olhamos para pesquisas de 10, 15 anos de acompanhamento, vemos que pessoas que conseguem manter perda de peso significativa têm algumas características em comum:

  • Desenvolveram uma relação saudável com movimento físico.
  • Encontraram padrões alimentares que funcionam para seu estilo de vida.
  • Aprenderam a gerenciar o estresse de forma eficaz.
  • Construíram uma rede de apoio sólida.

O que mais me impressiona é que essas pessoas não apenas mantiveram o peso – elas relatam melhoras na qualidade do sono, nos níveis de energia, na autoestima, nos relacionamentos.

É uma transformação que vai muito além dos números na balança.

Isso não aconteceu da noite para o dia, é verdade.

Mas quando acontece, é para valer.

Você desenvolve ferramentas que são suas, que ninguém pode tirar, que não dependem de disponibilidade na farmácia ou de recursos financeiros para manter.

É uma liberdade que não tem preço.

Um caminho mais lento, mas verdadeiramente transformador

Sei que pode ser frustrante ouvir que não existe atalho mágico, especialmente quando você já está cansada de tentar e não ver resultados duradouros.

Mas talvez seja hora de reformular a pergunta:

Em vez de “como posso perder peso rapidamente”, que tal “como posso construir uma saúde que se sustenta ao longo dos anos?”

A verdade é que seu corpo não precisa de soluções extremas.

Ele precisa de:

  • Consistência
  • Paciência
  • Uma abordagem que respeite a sua individualidade

Cada pessoa tem sua história, seus desafios, suas limitações e suas possibilidades. Uma medicina verdadeiramente personalizada leva tudo isso em conta.

Talvez você esteja se perguntando:

“Mas como eu faço isso na prática? Como construo essa saúde sustentável em meio à correria do dia a dia, às responsabilidades com a família, com o trabalho?”

São perguntas legítimas e importantes.

E a resposta não está em fórmulas prontas ou protocolos rígidos, mas em uma abordagem que considera sua vida como ela realmente é – complexa, única, cheia de desafios e possibilidades.

Se você se identificou com esse conteúdo, se reconheceu suas próprias dúvidas e anseios nessas linhas, talvez seja o momento de considerar uma abordagem diferente.Uma que não promete milagres, mas oferece algo muito mais valioso: a construção de uma saúde sólida, sustentável e verdadeiramente sua.

Este conteúdo é educativo e não substitui orientação médica profissional. Cada caso requer uma avaliação individual por profissional qualificado. Saiba mais sobre uma abordagem personalizada em medicina do estilo de vida clicando no botão abaixo.